20 de abr de 2012

Baile do Menino Deus - Escola Municipal Iraci Rodovalho, em dezembro de 2011














A quadra da escola estava lotada.

A representação de José, Maria e o Menino Jesus


13 de abr de 2012

SUGESTÃO DE FILMES

            ASSISTIR AO FILME ANTES DE PASSÁ-LOS AOS ALUNOS É SEMPRE BOM PARA CONFERIR SE E ADEQUADO E TAMBÉM PARA PLANEJAR ALGUMA ATIVIDADE APÓS SUA EXIBIÇÃO.

     
      A COR PÚRPURA: TRATA DOS CONFLITOS ENTRE BRANCOS E NEGROS ESCRAVIZADOS NO PERÍODO DE COLONIZAÇÃO DOS ESTADO UNIDOS.

            A LISTA DE SCHINDLER: COM ALGUMAS CENAS REAIS, RELATA O RACISMO CONTRA OS JEDEUS DURANTE O PERÍODO NAZISTA DE HITLER. DIREÇÃO DE STEVEN SPIELBER.

            AMISTAD: A HISTÓRIA OCORRE EM UM NAVIO NEGREIRO (1997). DIREÇÃO DE STEVEN SPIELBERG.

AO MESTRE COM CARINHO I: PROFESSOR NEGRO CHEGA PARA TRABALHAR COM ALUNOS INDISCIPLINADOS E CONSEGUE FAZER UM EXCELENTE TRABALHO.

CÓDIGO DE HONRA: MOSTRA O PRECONCEITO CONTRA JEDEUS DENTRO DE UMA ESCOA, ONDE AS PESSOAS SE REVELAM ENTRE INJUSTIÇAS E SITUAÇÕES DE DESRESPEITO.

   ESCRITORES DA LIBERDADE: ONDE A REALIDADE SOCIAL DOS ALUNOS, TAMBÉM RELACIONADA À COR DA PELE, INFLUENCIA NA VIDA ESCOLAR DOS MESMOS.

   O PODER DO JOVEM: MOSTRA QUE UMA SÓ PESSOA PODE FAZER DIFERENÇA E MUDAR UMA SITUAÇÃO (ÁFRICA DO SUL).

   O PREÇO DO DESAFIO: BASEADO EM FATOS REAIS, UM PROFESSOR VAI LECIONAR E ENCONTRA GANGUES DE DROGADOS E MUITO PRECONCEITO CONTRA OS HISPÂNICOS. ELE DESAFIA OS ALUNOS A MUDAREM SUAS VIDAS. DIREÇÃO DE RAMON MENENDEZ (USA 1988).

OS DONOS DA RUA: SOBRE GANGUES DOS ESTADOS UNIDOS.

OS ÚLTIMOS REBELDES: MOSTRA A ALEMANHA DE HITLER (ALEMANHA).

QUILOMBO: RESGATA A HISTORIA DO MOVIMENTO DE RESIDÊNCIA NEGRA EM QUILOMBO DE PALMARES. DIREÇÃO DE CACÁ DIEGUES.

RAÍZES: RETRATA O PERÍODO DE COLONIZAÇÃO NORTE-AMERICANA E OS CONFLITOS ADVINDOS DA ESCRAVIZAÇÃO DOS NEGROS.

   
    UM GRITO DE LIBERDADE: HISTORIA REAL, PASSADA NA ÁFRICA DO SUL, SOBRE O LÍDER NEGRO STHEPHEN BIKO. DIREÇÃO DE RICHARD ATTENBOROUGH (INGLATERRA, 1987).









OUTROS FILMES SUGERIDOS

·         ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR (COMÉDIA).

·         AO MESTRE COM CARINHO II.

·         APRISIONADOS.

·         ATLÂNTICO NORTE- NA ROTA DOS ORIXÁS.

·         BAÚ DE HISTÓRIAS: LENDAS AFRICANAS.

·         BOPHA.

·         DREAM GIRLS

·         CONRACK

·         DURO APRENDIZADO.

·         FAÇA A COISA CERTA.

·         FEBRE DA SELVA.

·         MENTES PERIGOSAS.

·         MUDANÇA DE HÁBITOS.

·         O SEGREDO.

·         QUESTÃO DE PELE.

·         SARAFINA.

·         SEGREDOS E MENTIRAS (COMÉDIA).

·         TEMPO DE MATAR.

·         UMA HISTÓRIA AMERICANA.


SITES SELECIONADOS

·         WWW.PALMARES.GOV.BR

·         HTTP://ZUMBI.ONGBA.ORG.BR/AFRO

·         WWW2.UOL.COM.BR/SÍMBOLO/RAÇA

·         HTTP://WWW.MINE.GOV.BR/FEP

·         WWW.CORREIOS.COM.BR

·         WWW.MAZZAEDIÇÕES.COM.BR

·         WWW.SOBALIVROS.HPG.COM.BR




SUGESTÃO DE LIVROS


LIVROS PARA ATIVIDADES ESCOLARES

·         ALFABETO NEGRO, DE ROSA MARGARIDA DE CARVALHO ROCHA E CRISTINA AGOSTINHO. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 2000
·         A VIDA DE ZUMBI DOS PALMARES DE JOEL RUFINO DOS SANTOS. BRASÍLIA: MINISTÉRIO DA CULTURA/FUNDAÇÃO CULTURAL PAMARES, 1995.
·         CIDADANIA EM PRETO E BRANCO, DE MARIA APARECIDA SILVA BENTO.  SÃO PAULO: ÁTICA, 2001
·         CIDADANIA NÃO TEM COR (CATILHA), DO CONSELHO MUNICIPAL DO NEGRO (CONEGRO). VITÓRIA: PREFEITURA DE VITÓRIA.
·         GARANTIA DE DIREITOS: CARTILHA PARA ADOLESCENTE, TRABALHADORAS DOMÉSTICAS, MULHERES NEGRAS. CENTRO DE ESTUDOS AFRO-ORIENTAIS (CEAFRO). PROFISSIONALIZAÇÃO PARA CIDADANIA. SALVADOR: SAVE THE CHILDREN, 2001.
·         ILÊ AIÊ – (TERRA DA VIDA) – UM DIÁRIO IMAGINÁRIO, DE CHICO DOS BONECOS. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 1988
·         SÉRIE: ESTA HISTÓRIA EU NÃO CONHECIA. BELHO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 1981.
·         20 DE NOVEMBRO – A CONSCIÊNCIA NASCEU NA LUTA, DE ALFREDO BOULOS JR. SÃO PAULO: FTD.  (CONSTRUINDO NOSSA MEMÓRIA)
·         13 DE MAIO. ABOLIÇÃO: POR QUE COMEMORAR?, DE APARECIDA CARLOS E EFIGÊNIA PIMENTA. FTD, 1996. (CONSTRUINDO NOSSA MEMÓRIA)
·         ZUMBI – A RESISTÊNCIA DE UM JOVEM BRASILEIRO, DE APARECIDA CARLOS E EFIGÊNIA PIMENTA.

LIVROS DE LITERATURA INFANTIL

·         AMIGO DO REI, DE RUTH ROCHA. SÃO PAULO: EDITORA ÁTICA.
·         A HISTÓRIA DOS ESCRAVOS, DE ISABEL LUSTOSA E MARIA EUGÊNIA. (LITERATURA INFANTO-JUVENIL). SÃO PAULO: EDITORA CIA DAS LETRINHAS. 
·         BICHOS DA ÁFRICA, DE ROGÉRIO ANDRADE BARBOSA. SÃO PAULO: ED MELHORAMENTOS. (LENDAS E FÁBULAS).
·         CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO, DE LINO DE ALBERGARIA. SÃO PAULO: EDITORA MEMÓRIAS FUTURAS. (COLEÇÃO ORGULHO DE RAÇA).
·         DUAS AMIGAS, DE ROSEANA MURRAY. RIO DE JANEIRO: EDITORA MEMÓRIAS FUTURAS (COLEÇÃO ORGULHO DE RAÇA).
·         FELICIDADE NÃO TEM COR, DE JÚLIO EMÍLIA BRAZ. (LIVRO INFANTO-JUNVENIL). SÃO PAULO EDITORA MODERNA.
·         LUANA: A MENINA QUE VROU O BRASIL NENÉM, DE AROLDO MACEDO. SÃO PAULO: FTD 2000
·         MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA, DE ANA MARIA MACHADO. SÃO PAULO: ED MELHORAMENTOS, 2000. (SÉRIES CONTE OUTRA VEZ).
·         NÓ NA GARGANTA, DE MIRNA PINSK. SÃO PAULO: EDITORA ATUAL.

LIVROS PARA EMBASAMENTO TEÓRICO E PROTEJOS EDUCACIONAIS

·         AFROGRAFIAS DA MEMÓRIA, DE LEDA MARIA MARTINS. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, .
·         A MULHER QUE VI DE PRETO, DE NILMA LINO GOMES. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 1995.
·         ARDIS DA IMAGEM, DE EDMILSON DE ALMEIDA PEREIRA E NÚBIA PEREIRA DE MAGALHÃES GOMES, BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 2001
·         BRASIL, GÊNERO E RAÇA. TODOS UNIDOS PEL IGUALDADE DE OPORTUNIDADES DESCRIMINAÇÃO: TEORIA E PRÁTICA. PROGRAMA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS. ASSESSORIA INTERNACIONAL/ MTB – BRASÍLIA – DF – TEL.(061) 225-1242- E 317 612/FAZ (061) 2240814/ E-MAIL: INTENACIONAL@MTB.GOV.BR.
·         CADA HOMEM E UMA RAÇA, DE MIA COUTO. RIO DE JANEIRO: EDITORA NOVA FRONTEIRA.
·         CONSCIÊNCIA NEGRA DO BRASIL: OS PRINCIPAIS LIVROS. QUASE TREZENTAS OBRAS COMENTADAS E RECOMENDADAS POR ESPECIALISTAS AFRO-BRASILEIROS. ORGANIZADORES
·         CUTI E MARIA DAS DORES FERNANDES, BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 2002
·         CONTANDO A HISTÓRIA DO SAMBA, DE ELZELINA DÓRIS DOS SANTOS. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇOES, 2003.
·         DIFERENÇAS E PRECONCEITOS NA ESCOLA, DE JÚLIO GROPPA AQUINO. SÃO PAULO: ED SUMMUS EDITORIAL.
·         DO SILÊNCIO DO LAR AO SILÊCIO ESCOLAR, DE ELIANE DOS SANTOS CAVALHEIRO. SÃO PAULO ED: CONTEXTO, 2000
·         EDUCAÇÃO E DESCRIMINAÇÃO DOS NEGROS – INSTITUTO DE RECURSOS HUMANOS JOÃO PINHEIRO. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 1988.
·         GOSTANDO MAIS DE NÓS MESMOS – PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A AUTO-ESTIMA E QUESTÃO RACIAL, DE ANA MARIA DA SILVA ET ALLII. AMMA: PSIQUE E NEGRITUDE QUILOMBHOJE. SÃO PAULO: EDITORA GENTE, 1999.
·         IDENTIDADE NEGRA E EDUCAÇÃO, DE MARCO AURÉLIO LUZ, CADERNOS DE EDUCAÇÃO POLÍTICA.
·         NEGRITUDE: USOS E SENTIDOS, DE KABENGUELE MUNANGA.  SÃO PAULO: ED ÁTICA.
·         NEGRO, QUAL É O SEU NOME?, DE CONSUELO DORES SILVA. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES, 1995.
·         O NEGRO NO BRASIL, DE JÚLIO J. CHIAVENATO. SÃO PAULO: BRASILIENSE
·         O QUE É RACISMO, DE JOEL RUFINO DOS SANTOS. SÃO PAULO: ABRIL CULTURA/BRASILIENSE, 1984. COLEÇÃO PRIMEIROS PASSOS.
·         ORGULHO DA RAÇA: UMA HISTÓRIA DE RACISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL, DE HELOÍSA PIRES LIMA. RIO DE JANEIRO; EDITORA MEMÓRIAS FUTURAS (COLEÇÃO ORGULHO DA RAÇA).
·         PALMARES - A GUERRA DOS ESCRAVOS, DE DÉCIO FREITAS. RIO DE JANEIRO: EDIÇÕES GRAAL, 1982
·         QUILOMBOS – RESISTÊNCIA AO ESCRAVISMO, DE CLÓVIS MOURA. SÃO PAULO: ED ÁTICA.
·         SER NEGRO NO BRASIL HOJE, DE ANA LÚCIA VALENTE. PROJETO PASSO À FRENTE. SÃO PAULO: ED. MODERNA. COLEÇÃO POLÊMICA.
·         SOU PRETO DE LINDA COR – PROPOSTA METODOLÓGICA DE COMBATE AO RACISMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL, DE EDNA RODRIGUES ARTHUSO. BELO HORIZONTE: CRECHE CALÇARAS 2001
·         SUPERANDO O RACISMO NA ESCOLA, DE KANBEGELE MUNANGA - ORGANIZADOR BRASÍLIA: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL, 2001
·         TODOS SEMELHANTES, TODOS DIFERENTES, DE ALBERT JACQUARD. SÃO PAULO: EDITORA AUGUSTUS
·         ZUMBI DOS PALMARES VAI ÀS ESCOLAS: ROTEIRO PARA O PROFESSOR, DE DIVA MOREIRA E ROSA MARGARIDA DE CARVALHO ROCHA. BELO HORIZONTE: SECRETARIA DO ESTADO DA EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS, 1996.
·         ZUMBI DOS PALMARES, DE MARJA DE LOUDES SIQUEIRA E MARCOS CARDOSOS. BELO HORIZONTE: MAZZA EDIÇÕES

CONTOS AFRICANOS

·         AFONJÁ: MITOS AFRO-BRALEIROS, DE CARLOS PETROVICH E VANDA MACHADO. SALVADOR: EDUFBA,2002.
·         HISTÓRIA DA PRETA, DE HELOÍSA PIRES. SÃO PAULO: EDITORA CIA. DAS LETRINHAS.
·         HE IFÊ- O SONHO DO IAÔ. SALVADOR: EDUFBA.
·         LENDAS NEGRAS, DE JÚLIO EMILIO BRÁS. SÃO PAULO: EDITORA FTD.
·         NA TERRA DOS ORIXÁS, DE JOSÉ GANYMÉDIS. EDITORA DO BRASIL,1988.
·         OGUM- O REI DE MUITAS FACES E OUTRAS HISTÓRIAS DOS ORIXÁS, DE LÍDIA- CHAUB. SÃO PAULO: EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS.
·         O PRESENTE DE OSSANHÃ, DE JOEL RUFINO. SÃO PAULO: EDITORA GLOBAL
·         PROSA DE NAGÔ, DE VANDA MACHADO E CARLOS PETROVICH, SALVADOR: EDUFBA.

REPORTAGENS

·         REVISTA VEJA: SÃO PAULO, 22/141/1995, 24/6/1998 E 18/8/1999.
·         REVISTA CAPRICHO: SÃO PAULO, NOV/1995- ÁFRICA- EDITORA ABRIL:
·         REVISTA SUPER INTERESSANTE: SÃO PAULO, NOV. /1995.
·         CADERNOS DO TERCEIRO MUNDO: RIO DE JANEIRO, N.190, NOV/1995.
·         REVISTA ALÔ MUNDO: TABOÃO DA SERRA, N.92, NOV/1995.
·         REVISTA NOVA ESCOLA: SÃO PAULO, N.92,NOV/ 1995.
·         REVISTA AME- EDUCANDO: BELO HORIZONTE, N.280, NOV/2000.
·         REVISTA RAÇA BRASIL: SÃO PAULO, VÁRIAS REPORTAGENS.
·         REVISTA ISTOÉ SÃO PAULO, 18/11/1992


12 de abr de 2012

Índios versão 20 ponto 11

Acabo de retornar de estadia de campo na Amazônia e fico feliz ao constatar que os índios estão cada vez mais dominando novas tecnologias e com uma mentalidade 20.11, preparando-se para participar das grandes questões globais da segunda década do século 21. Exemplos: meu aparelho celular não funcionava, pois na cidade de Atalaia do Norte só há uma operadora. Quem me salvou ao me emprestar seu aparelho novinho foi um garoto matis ? considerado pela "regra de parentesco incorporador de antropólogos" meu irmão indígena. Fui surpreendida pelo lindo ringtone com um canto de pássaro amazônico que ouvia ao despertar quando morei na aldeia. "Uau, Makwanantê, que lindo. Como gravou o canto desse pássaro?" "Baixei via Bluetooth de graça no cybercafé da cidade." Ok, eu também esqueço às vezes que trabalho com índios amazônicos versão 20.11, os magníficos matis, um povo de língua pano que vive na Terra Indígena Vale do Javari, segunda maior do País, com 8,5 milhões de hectares.
No dia seguinte pedi a outro jovem matis um carregador de bateria para minha câmera digital e ele trouxe um carregador universal made in China comprado na Colômbia (fronteira próxima). Serve para qualquer tipo de bateria e dribla a imposição de empresas como Sony ou Motorola com modelos que nos obrigam a comprar mil traquitanas. Os índios 20.11 sabem escolher o que lhes dá autonomia mesmo entre as quinquilharias chinesas e surpreendem aqueles que, no Brasil "metropolitano" (para usar um termo cunhado por Manuela Carneiro da Cunha), acham que os indígenas amazônicos vivem na Idade da Pedra ou num paraíso (ou inferno) pré-industrial. Os ameríndios com quem tenho o prazer de conviver podem estar esquecidos nas políticas governamentais, mas se movimentam no universo de questões globais como mercado de crédito de carbono e uso de tecnologia para melhorar a vida em suas comunidades. Alguns estão na universidade e serão em breve professores universitários. Afinal, índios não ficam em cristaleira de museu ou apenas decoram pôster festivo da brasilidade para fazer jus ao logo federal "Brasil, país de todos". Os índios seguem sendo bem índios mesmo portando seus celulares, editando filmes, torcendo pelo Flamengo. E continuam necessitando demarcar terras, especialmente em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Para isso mesmo, precisam e gostam de tecnologia, para estarem plugados no mundo, como você e eu.
Em Manaus, conheci a vice-coordenadora da Coiab (Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), Sônia Guajajara. Ela ficou famosa na COP-16 (última conferência da ONU sobre mudanças climáticas), em Cancún, México, ao entregar o troféu "motosserra de ouro" à senadora Kátia Abreu ? prêmio dado aos que aumentam o desmatamento na Amazônia. Como Sônia, há outros índios que aprenderam o glossário da "economia mundial ambiental", sabem o que é Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Ou seja, estão afinados com a economia ambiental e combatem ideias australopitecas dos defensores da reforma do Código Florestal.
Graças aos índios brasileiros é que a floresta ainda está em pé, conforme demonstram imagens do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Vizinhos dos matis, os índios maiorunas vivem em ambos os lados da fronteira do Peru e do Brasil e, nos últimos anos, vêm migrando para nosso País por causa da atuação de empresas multinacionais que concessionaram áreas em seus territórios com o aval do governo do Peru. Os mesmos maiorunas, em 2003 e 2004, chamaram a atenção das autoridades para o contrabando de madeira realizado por peruanos. Os Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, sempre citados como destruidores do meio ambiente, só apresentam indicadores positivos devido às terras indígenas. Os índios também denunciam as rotas do narcotráfico em seus territórios.
Além desses serviços ao País, os índios também investem em economia criativa. Querem que sua juventude aprenda a utilizar telefones celulares, laptops e câmeras de vídeo para que eles próprios tenham domínio sobre a produção (e também o consumo, em alguns casos) da indústria da criatividade, que os jovens indígenas façam seus próprios filmes, vendam CDs de suas músicas, tenham eles próprios controle sobre seus bens imateriais que por tantos anos foram produzidos e vendidos por estrangeiros ou outros brasileiros. Os índios têm todo o direito de se tornarem big players na indústria do entretenimento. Como demonstram sucessos como o filme Cheiro de Pequi, da Associação Indígena Kuikuro e do Vídeo nas Aldeias, que ganhou o prêmio de melhor curta-metragem em Montreal, no Canadá. Chegará logo o dia em que teremos cineastas indígenas concorrendo em Cannes.
É bom lembrar, porém, que nem tudo na realidade indígena são cantos de pássaros e tecnologia. No Javari, cerca de 80% da população indígena está contaminada por hepatites virais que provocaram a morte de 300 pessoas nos últimos dez anos. Há alguma esperança com a nova Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) de que haja atendimento permanente para as 55 comunidades. A Funai, em processo de reestruturação, havia decidido desmontar a administração regional na cidade de Atalaia do Norte, deixando os cerca de 3.800 índios que moram na Terra Indígena sem uma base administrativa próxima. Parece que quem vive em Brasília olha o mapa do Javari apenas pendurado na parede e, por isso, pensa que os rios do Javari correm do norte para o sul! Porém os rios do Javari correm todos na direção norte e oeste para formar o Solimões e, a partir de Manaus, o Amazonas. Certamente, os índios terão muitos direitos a exigir nos protestos do Abril Indígena, programados para ocorrer em maio em Brasília.
As grandes questões globais estão na Amazônia e os índios, melhor do que a maioria dos brasileiros, já estão se preparando para lidar com esse mundo 20.11 ? de preocupações com energias limpas (pós-Fukushima), onde os países ricos pagam aos "emergentes" para que mantenham suas florestas em pé, onde as tecnologias made in China tomam o lugar das que fazem carregadores não universais, onde quem tem força de sobrevivência é quem vai vencer e deixar para trás os acomodados. Os índios brasileiros já mostraram que vieram para sobreviver. Desde 1500 têm conseguido se manter vivos, o que em si, já é um feito e tanto. Agora, parece que vão nos ensinar o que fazer para sermos um país rico em biodiversidade, em captura de carbono e em economia criativa. Tenho tentado acompanhá-los e aprender com eles.
Texto de Bárbara Maisonnave Arisi - Doutoranda do Programa de Antropologia Social da UFSC publicado no Estadão no dia 24/04/2011.

19 de abril - O dia do índio?

Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.
Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. "O índigena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, 'brancos'", diz a coordenadora de Educação Indígena no Acre, Maria do Socorro de Oliveira.


 Índios Xukuru-Kariri da Aldeia Monte Alegre - foto retirada do site:

Saiba o que fazer e o que não fazer no Dia do Índio:

1. Não use o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las.

Faça uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. "Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea", explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental.

2. Não reproduza preconceitos em sala de aula, mostrando o indígena como um ser à parte da sociedade ocidental, que anda nu pela mata e vive da caça de animais selvagens
Mostre aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.

3. Não represente o índio com uma gravura de livro, ou um tupinambá do século 14

Sempre recorra a exemplos reais e explique qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explique que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Não se prenda a uma etnia. Fale, por exemplo, dos Ashinkas, que têm ligação com o império Inca; dos povos não-contatados e dos Pankararu, que vivem na Zona Sul de São Paulo.

4. Não faça do 19 de abril o único dia do índio na escola
A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por que não incluir no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia discussões e atividades sobre a cultura indígena, ao longo do ano todo? Procure material de referência e elabore aulas que proponham uma discussão sobre cultura indígena ou sobre elementos que a emprestou à nossa vida, seja na língua, na alimentação, na arte ou na medicina.
5. Não tente reproduzir as casas e aldeias de maneira simplificada, com maquetes de ocas
"Oca" é uma palavra tupi, que não se aplica a outros povos. O formato de cada habitação varia de acordo com a etnia e diz respeito ao seu modo de organização social. Prefira mostrar fotos ou vídeos.

6. Não utilize a figura do índio só para discussões sobre como o homem branco influencia suas vidas
Debata sobre o que podemos aprender com esses povos. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, como poderíamos aprender a nos sentir parte da terra e a cuidar melhor dela, tal como fazem e valorizam as sociedades indígenas?

Fonte: Revista Nova Escola - Edição de Maio/2011.