11 de out de 2012

Estudo sobre o mercado de trabalho no país revela que a população negra ainda é preterida



Um relatório divulgado em julho pela OIT – Organização Internacional do Trabalho, mostra que problemas históricos do país ainda persistem no mercado de trabalho. De acordo com os índices levantados, as mulheres, os negros e os jovens têm menos oportunidades e salários mais baixos do que homens brancos com mais idade. Além disso, ainda há trabalho escravo e desigualdades regionais no Brasil. O levantamento engloba o período de 2005 a 2009.
Segundo a OIT, o desemprego é maior entre a população trabalhadora negra (9,4%) comparada à branca (7,3%). Entre as mulheres negras, o índice é ainda mais expressivo (12,8%), sobretudo se comparado à taxa correspondente aos homens brancos (5,5%).
A pesquisa também concluiu que de cada quatro jovens negras brasileiras entre 15 e 24 anos, uma não estuda ou não trabalha – o que corresponde a 25,3% dessa faixa da população.
- Quando a jovem diz que não trabalha, quer dizer que não trabalha remuneradamente. Ou ela é mãe e não tem apoio das redes de proteção social; ou concilia família e trabalho; ou cuida de irmãos melhores para a mãe trabalhar – destaca o coordenador do estudo da OIT, José Ribeiro.
A taxa de mulheres negras que não trabalham ou não estudam é superior às das mulheres jovens em geral (23,1%), dos homens jovens (13,9%) e dos homens negros (18,8%).
- O afastamento das jovens da escola e do mercado de trabalho, em um percentual bastante superior ao dos homens, é fortemente condicionado pela magnitude da dedicação delas aos afazeres domésticos e às responsabilidades relacionadas à maternidade, sobretudo quando a gestação ocorre durante a adolescência -, ressalta o responsável pelo relatório.
Os estados em que há mais desemprego entre as jovens negras são Pernambuco (36,7%), o Rio Grande do Norte (36,0%), Alagoas (34,9%), o Pará (33,7%) e Roraima (33,2%).
- As cifras de redução da pobreza e de desigualdade no Brasil, nos últimos anos, são avanços importantes e internacionalmente reconhecidos pela OIT. A pobreza e a desigualdade continuaram diminuindo no Brasil apesar da crise. O Brasil nesse sentido se destaca no cenário internacional. Mas a questão do jovem é claramente um desafio – comenta a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo.

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