26 de nov de 2013

FERERJ articula a vinda do CINEAB para encontro de formação sobre Educação das Relações Étnico-Raciais

A escritora Inaldete Pinheiro, a professora doutora Ceça Reis
e uma das coordenadoras do FERERJ Maximina França
Desmistificar a cultura histórica de que existem cabelos ruins e bons não é uma tarefa fácilo racismo está tão intrínseco nas pessoas que se torna natural, as pessoas não se aceitam como são e se submetem a procedimentos estéticos agressivos que colocam a própria saúde em risco. E como mudar está visão? Como colaborar com o reconhecimento da identidade dos negros de cabelos crespos? Um dos caminhos é através da escola com os educadores, que podem levar um novo olhar para as crianças que estão em fase de desenvolvimento, de construção de ideologias. Em alusão ao dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, o FERERJ articulou a vinda do CINEAB para encontro de formação sobre Educação das Relações Étnico-Raciais os profissionais do PROAC e Mais Educação junto com a Secretaria Executiva de Educação e em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), realizou na tarde de ontem (13.11) CiNeab, na Faculdade Guararapes.

Na ocasião participaram aproximadamente 100 monitores dos Programas Mais Educação e Animação Cultural. "O objetivo desse encontro é contribuir com subsídios para que se possa trabalhar a Educação da relações Étnico-Raciais com os (as) Jovens envolvidos nesses dois projetos," comunica uma das Coordenadoras do FERERJ Maximina França, acerca do objetivo do encontro.

O filme exibido do CiNeab foi o documentário Raiz Forte, cuja abordagem foi negras lidando com seus cabelos crespo,  e as debatedoras convidadas foram a professora doutora da UFPE, Ceça Reis, e a escritora, Inaldete Pinheiro. “Será que somos pessoas de Raiz Forte? Somos educadores precisamos trabalhar para que as pessoas se percebam. Precisamos fortalecer o reconhecimento da identidade”, destacou a doutora Ceça Reis.

O monitor do Programa de Animação Cultural (Proac), Amaro Nascimento, ressaltou temas que devem ser tratados nas escolas. “Este cine debate foi muito produtivo. É preciso que as escolas trabalhem em cima de quem foi Zumbi, muitas pessoas nem sabem de sua existência. E é muito importante, um símbolo de luta. A sociedade tem um débito histórico com a população negra. As Políticas Públicas voltadas para essa população é importantíssima”, disse.

A escritora Inaldete Pinheiro levou reflexões sobre a realidade atual dos negros. “Temos que analisar as palavras soltas. Elas são muito bem pensadas. Quando se fala cabelo ruim o intuito é de diminuir a pessoa”, afirmou. O vídeo abordou a convivência feminina com cabelo crespo em várias fases da vida. Na infância muitas vezes os responsáveis pelas crianças prendem os cabelos das pequenas negras justificando que eles são ruins e feios, as mesmas crescem ouvindo e absorvendo está discriminação. Na fase da adolescência surge a necessidade de inserção em grupos e muitas vezes os cabelos ditos feios não são bem aceitos, o que leva as jovens se submeterem aos alisamentos.

No filme algumas entrevistadas relataram experiências vividas de preconceitos e os danos causados pelos procedimentos de alisamentos. Entre as personagens, uma delas usa o penteado com dreads e destaca que muitas vezes a estética mostra um pouco da personalidade do indivíduo e que no caso dela os cabelos dão a sensação de carregar 500 anos de história, a mesma conclui que o passar dos anos possibilita a liberdade, que com a idade assumimos a nossa identidade e quando o ser humano se aceita a sociedade passa a aceitar também.


Texto por: Bruna Borges.
Editado

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